quinta-feira, 25 de outubro de 2012

OSHO, O GURU INCORRETO?

Recebi um e-mail fazendo referências a histórias supostamente “nebulosas” ao redor do Osho. E também histórias “nebulosas” envolvendo os sannyasins. E talvez seja também por isso que Osho disse que não existe movimento sannyas. O que existe é uma movimentação de sannyasins ao seu redor, no mundo inteiro. E Osho não responde pelos atos de cada sannyasin.
Cada um de nós responde por nossos próprios atos.

O texto abaixo foi a resposta aos diversos itens apontados no tal e-mail recebido. Eu tenho conhecimento de todas as coisas apontadas no e-mail, e de muitas outras. Mas, quer saber de uma coisa? O que me interessa mesmo, única e exclusivamente, é ter conhecimento cada vez mais de qual é a essência da mensagem do Osho. Essa mensagem tem se revelado para mim, através de minha própria experiência, como absolutamente verdadeira e libertadora. Não é da minha conta se presentearam Osho com quase cem Rolls Royces, se o governo americano para se ver livre dele o acusou de dezenas de infrações às leis daquele país, se durante os festivais o pessoal que podia pagar hotel 5 estrelas se acomodava melhor do que quem morava em tendas. Isso faz muita diferença para quem aqui no nosso meio acompanha a corrupta política nacional, as fofocas das celebridades, as novelas da globo. Aí sabemos quem vai passar o reveillon em Nova York, em que hotel vai se hospedar, quem vai para a ilha de Caras, etc. Com Osho isso nada tem a ver. Eu nunca fiquei em hotel 5 estrelas em Puna. Sempre fiquei dividindo quarto com mais 1 ou 2 pessoas. E isso nunca aumentou nem reduziu a minha sintonia com a energia do mestre, com a sua mensagem.

Eu sempre vi pessoas lindas na comuna do Osho. Mas não era condição para entrar na comuna que fossem gatinhas participantes de concurso Miss Puna, nem de concurso das mais "certinhas". Essa é a visão distorcida de quem vive diante da TV, do programa da Xuxa, do Faustão e do Hulk. Na comuna do Osho as coisas acontecem de maneira diferente. Os parâmetros são outros, o conceito de beleza é outro. Também tem gente com rostinho de boneca, mas não é disso que se trata quando falamos de pessoas lindas.

É claro que Osho era uma pessoa de destaque na mídia e numa sociedade neurótica como a americana, ele corria perigo naquela época em que se jogavam bombas em comunidades religiosas que desafiavam as tradições conservadoras cristãs. E haviam comunidades loucas que pregavam o suicídio. Se as pessoas que cuidavam da segurança do Osho andavam armadas, deve ter sido uma medida de precaução que o momento exigia. E dai? Eu não estava lá, naquele momento e naquela situação, cuidando da segurança dele e por isso não sei quais os desafios que eles tiveram que enfrentar. Osho nunca tomou a iniciativa de dizer o que sua guarda deveria fazer, nunca disse que os hotéis de 5 estrelas deveriam ser assim ou assado. Osho cuidava da mensagem que ele nos compartilhava. Ele tinha urgência de deixar sua mensagem para o novo homem, para um novo mundo. O seu foco era a nossa transformação, era nos estimular, nos desafiar a dar um salto quântico em nossas vidas. É claro que ele sempre disse que gostava do melhor e nos estimulou a também querer o melhor para nós, não nos contentar com as migalhas.

A mensagem do Osho sempre priorizou a expansão da consciência, a meditação, a superação dos nossos limites e bloqueios impostos por uma programação arcaica e castradora, de modo que possamos ser livres, conscientes e inteiros em cada ato, em cada momento de nossa vida. E nisso não há preconceito quanto à alegria, ao conforto, à beleza, ao prazer, ao amor. A nossa totalidade implica numa realização plena em todos os sentidos. Osho nunca pregou a caridade cristã de dar abrigo aos pobres e sem-tetos. Quem cuida disso são as igrejas, é a Madre Tereza de Calcutá. Isso nada tem a ver com o trabalho do Osho. Por isso Osho é totalmente diferente de todos esses iluminados que passaram pelo planeta. Ele é revolucionário nesse sentido. Ele não veio dar consolo ao pobre. Ele veio cutucar as pessoas para assumirem as rédeas de sua vida e superarem suas limitações, para se realizarem e alcançarem os picos da espiritualidade através da meditação. Osho nunca pregou voto de pobreza, nem de castidade. Nunca foi a favor do auto-flagelo para redenção das culpas. Essa coisa de pobreza, humilhação, subserviência, tem origem nessas religiões que nos jogam culpa, pecado original, nos proíbem o prazer e o sexo. Osho nada tem a ver com essa tradição religiosa. Com Osho não há preconceito contra a alegria, o luxo, a riqueza, o conforto, a beleza estética. Se podemos viver bem, porque optar por viver mal? Não há recompensas na outra vida ou num paraíso celestial. O paraíso é aqui mesmo. É aqui que o construímos.

Aqueles que ainda estão tropeçando, sem conseguir resolver suas questões materiais básicas, têm que encarar o desafio de superar esse estágio. Esse é o desafio de cada um deles. Quem está com fome de comida, tem que lutar é para conseguir seu pão; não se pode esperar que ele esteja almejando a sofisticação de um espaço meditativo. Infelizmente isso é real. E Osho cita o próprio Jesus quando este disse para algum de seus discípulos que queria cuidar de um parente doente: Jesus disse: deixe que os mortos cuidem dos mortos. Se você quiser se dedicar a uma obra de caridade e salvar o mundo da fome, faça isso. Isso é com você. Faça aquilo que você acha que é certo. E isso vai ser um grande trabalho, de muito mérito. Você poderá se sentir um benfeitor da humanidade, poderá até receber reconhecimento público. Mas nada disso vai somar no seu processo pessoal, interior de crescimento na meditação. Esse seu processo pessoal, interno é somente seu. É você com você mesmo. Nem mesmo o Osho pode lhe ajudar. É um garimpo que você faz dentro de si, percorrendo os mistérios de seu espaço de silêncio interior. É o seu processo individual de auto-conhecimento. Aqui não estamos lhe dizendo para não olhar para o outro, não olhar para o próximo. Estamos apenas lhe dizendo para olhar para si mesmo. Olhe para quem você quiser, mas não deixe de olhar para si mesmo, vá para dentro e mergulhe nessa aventura do auto-conhecimento. Mas, se você não tem o que comer, o que vestir e onde morar, eu não posso lhe pedir que se aquiete e entre no silêncio do espaço meditativo. A visão do Osho às vezes soa um tanto quanto dura. Mas é assim mesmo.

E ainda lhe digo mais: é preciso ter uma compreensão ampliada para sacar a mensagem do Osho. Osho não é para todo mundo. Por isso Osho é tão mal compreendido. As pessoas olham Osho a partir de seus conceitos e preconceitos cristãos, judaicos, muçulmanos, ou hindus. Osho não é nada disso. Esse Osho que a gente encontra nas citações do Facebook, essas frases bonitinhas do Osho que aparecem nas agendas e nos cartões, não revelam a totalidade da mensagem desafiadora, revolucionária e transformadora do Osho. Muita gente se apega na mensagem do Osho quando ele fala da rosa. Mas a rosa traz consigo o espinho. Geralmente as pessoas gostam de olhar para a rosa e evitam encarar o espinho.

O caminho com Osho é um caminho de auto superação a cada instante, a cada passo que damos na vida. Diante de cada situação da vida, nos confrontamos com nossas sombras, com nossos bloqueios, com nossas limitações, com nossas repressões. Osho não nos pede para segui-lo. Ele nos desafia a seguirmos a nós mesmos. Mas primeiro temos que saber quem somos originalmente, ele não se refere a essa personalidade moldada pela sociedade, pelos pais, pela escola, pelas religiões. Quem somos por trás de tudo isso? E aí sim, ele nos convida a vivermos em sintonia com aquilo que somos originalmente, espontânea e naturalmente. Mas, podemos também optar por fechar os olhos para isso e levarmos uma “vidinha”, curtindo o último capítulo da novela da Globo, postando frases bonitinhas no Facebook, fazendo caras e bocas para impressionar as pessoas, exibindo o carrinho do ano, usando roupinhas de grife, etc etc. Aqui é preciso distinguir. Uma coisa é buscar sua realização plena, corpo/espírito, sem preconceitos quanto ao conforto e ao bem estar material. Outra coisa é achar que o conforto e as benesses da tecnologia significam o máximo na vida.

É muito difícil e árduo encarar o desafio que Osho coloca diante de nós, para assumirmos a nossa própria trajetória de vida. Por isso é muito mais fácil olharmos seus Rolls Royce, o luxo dos hoteis 5 estrelas, a restrição à entrada em sua comuna de soropositivos, esfarrapados e drogados. Assim, podemos vestir a capa de defensores da boa causa e não temos que encarar os desafios que ele coloca diante de nós. Aliás, o próprio Osho disse em algum lugar que se você só tem olhos para ver os seus Rolls Royce, é porque você não está apto a entrar no caminho que ele nos aponta. Então só lhe resta ficar contando os Rolls Royce. Esse é o estágio em que você se encontra. Ele dizia que os Rolls Royces acabaram funcionando como um filtro para o trabalho dele.

Para uma pessoa que fica apontando essas coisas "nebulosas" ao redor do Osho, só podemos dizer: - Tudo bem, fique aí anotando todos esses detalhes no seu caderninho. Passe a vida pesquisando isso, pelo menos você continuará girando ao redor da figura do Osho. Quem sabe, se em algum momento você tropeça numa mensagem dele que lhe dê uma sacudida e você acorda desse sono em que está mergulhado?

quarta-feira, 14 de março de 2012

Minha experiência com a Meditação da Percepção Corpórea


Há pouco mais de 1 mês, eu venho praticando a Meditação da Percepção Corpórea em grupo como prática interativa on-line através do Skype e individualmente no meu dia-a-dia. Essa prática está me abrindo para novas sensações e percepções no meu dia-a-dia; sinto que ela está contribuindo para eu estar mais presente no aqui e agora.
Existem vários detalhes importantes que precisam ser orientados no caso de alguém querer ser iniciado nesta técnica. Mas, de uma maneira bem resumida e para o propósito desta minha reflexão, eu poderia dizer que nessa técnica, eu me coloco numa postura de meditação, sentado, coluna e cabeça eretas e relaxado, e a cada ciclo respiratório, vou percebendo as partes do corpo onde as sensações são mais intensas.
O que tenho experimentado nessa técnica é que ao perceber essas partes do corpo, naturalmente as minhas tensões e os bloqueios vão sendo liberados e o estado de relaxamento automaticamente tende a se aprofundar. E esse aprofundamento do relaxamento associado à atitude de perceber as sensações, sem acoplar pensamentos dispersivos, tem por conseqüência, também natural, o aprofundamento do meu estado meditativo.
Uma coisa que me agradou muito nessa técnica, é que ela é muito fácil, muito simples. A gente não precisa fazer nenhum esforço. Ao contrário estamos sempre procurando aquilo que é mais fácil, o que é mais gostoso, onde ficamos mais à vontade. E assim, vamos relaxando, relaxando e, ao mesmo tempo, o mergulho interno vai se aprofundando. Sob certo sentido, eu poderia dizer que essa técnica é didática, pois ela nos facilita vivenciar a essência da meditação.
É claro que existem pessoas e pessoas, e ainda bem que nem todas são iguais. Mas, para mim, particularmente, a prática da Meditação da Percepção Corpórea tem sido muito benéfica, na medida em que está aguçando minha perceptividade e meu nível de presença no aqui e agora. Certamente tem contribuído para isso a minha prática regular em períodos curtos diariamente. E sempre que posso, e me lembro, procuro exercitar a percepção corpórea nas atividades comuns, como tomar banho, caminhar, comer, numa fila de espera, dentro do ônibus, etc.
Lembro-me de quando me iniciava nas meditações e terapias inspiradas no Osho, há quase 30 anos, que as pessoas diziam que havia aqueles que para liberar seus bloqueios, tensões e repressões precisavam de uma britadeira, enquanto para outros um bisturi era mais indicado e outros ainda, para quem apenas um toque sutil de uma massagem era o bastante. Considero a Meditação da Percepção Corpórea nesse contexto do toque sutil.
A minha experiência com essa meditação não exclui a minha prática regular de técnicas meditativas do Osho. Ao contrário, eu tenho percebido que minhas práticas de meditação do Osho no espaço Shunyata aqui em Juiz de Fora estão alcançando um aprofundamento ainda maior. Atribuo isso ao fato de estar com minha atenção e perceptividade mais aguçadas. Na noite de hoje, por exemplo, durante a Gourishankar, pude estar mais presente e mais perceptivo a cada ciclo respiratório do primeiro estágio; me senti mais atento à chama da vela no segundo; tive uma bela experiência de latihan, observando e sentindo toda a natural movimentação do corpo. E finalizei com um profundo silêncio e quietude no último estágio, sem muitos pensamentos dispersivos.
Um outro aspecto que me surpreendeu nessa meditação é o fato dela ser feita em grupo utilizando o Skype, que é um recurso tecnológico moderníssimo, ao qual não tiveram acesso os místicos e meditadores do passado. E tem sido incrível como o campo de energia meditativa está sendo criado quando nos reunimos on-line. Vivenciamos as duas experiências: a de meditarmos individualmente e, ao mesmo tempo, a de meditarmos em grupo.
Com este meu depoimento, quero apenas compartilhar essa minha experiência com a Meditação da Percepção Corpórea, que foi desenvolvida pelo nosso amigo Nisargan, com base em seus muitos anos de experiência meditativa.
Ele tem organizado grupos para a prática interativa dessa meditação on-line através do Skype e produziu uma série de 6 aulas em vídeos que divulgou no Youtube sob o título de “Meditação com Nisargan”. Basta procurar por esse título no Youtube e as aulas estão lá. Além disso, Nisargan disponibiliza o e-mail meditandoagora@gmail.com para os interessados em obter mais informações sobre essa meditação e como participar.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

REFLEXÕES A RESPEITO DE UMA FALA DO OSHO



Osho diz:
"Não dou nenhuma disciplina a meus discípulos, não os moldo em nenhum tipo de caráter, padrão e ‘deverias’. Não lhes dou nenhum ideal.
Simplesmente lhe dou algo pequeno que precisa ser alimentado em seu coração: seja mais alerta!
Faça o que quiser, mas faça com mais consciência!
Transforme cada oportunidade em uma estratégia para se tornar mais consciente! E logo mais e mais consciência fluirá em você, o inundará, mais do que você se mobilizou a atingir.
Então, você perceberá as mãos do divino o auxiliando. Uma vez percebidas essas mãos, surge a confiança. Então, você perceberá que não está sozinho; todos os que se iluminaram estão lhe dando suporte.
Este é o maior ato altruísta que alguém pode fazer: tornar-se consciente! Pois, ao tornar-se consciente, você libera consciência à existência, consciência viva novamente liberada...
A quantidade total de consciência se eleva no mundo sempre que alguém fica alerta.
No dia em que a quantidade total de consciência no mundo superar a quantidade total de inconsciência, haverá uma grande mudança universal.
Neste dia, toda a humanidade dará um salto quântico, e este dia está se aproximando. Se as pessoas se empenharem firmemente, o dia está se aproximando..."


A primeira coisa que me salta aos olhos nessa fala do Osho é que ele está falando para mim, ele está falando para você que está lendo este meu escrito. Ele não está falando para alguém distante, ele não está escrevendo uma tese, não está divagando sobre conceitos filosóficos, nem está falando para a multidão.
Ele está falando diretamente para o coração de um público seleto.
E quem se importa com o que Osho fala? Quem é tocado pela sua mensagem? Será que somos uns vinte mil aqui no Brasil? Ou uns quarenta mil, entre discípulos, amigos, leitores assíduos de seus livros, pessoas que passaram por terapias nele inspiradas... Será que somos cem mil?
De qualquer forma, somos um público restrito, num país de quase duzentos milhões de habitantes. E o mesmo ocorre em todo o mundo.
Ele com sua autoridade de iluminado nos diz textualmente que o “maior ato altruísta que alguém pode fazer, é tornar-se consciente”.
E será que ao menos sabemos o que é ser “consciente”?
Será que basta a leitura de textos do Osho para nos tornarmos consciente?
Sabemos ao menos a diferença entre consciência e mente consciente? Conhecemos por nossa própria experiência a diferença entre nosso Centro Observador e nossa mente observadora?
Esse conhecimento é experiencial, ou seja, ele advém da experiência meditativa, dos experimentos científicos que fazemos em nosso próprio interior. Esse conhecimento nos chega através da meditação.
É exercitando nossa pesquisa direcionada ao nosso interior que pouco a pouco nos habilitamos a reconhecer nosso Centro Observador, podemos começar a ter um gostinho do que é estar no aqui-e-agora e saber o que é estar presente. A meditação é a ferramenta.
Mas, palavras como meditação, aqui-e-agora, centro observador, todas elas são palavras bonitas e fáceis de serem repetidas. E é aqui que surge a diferença entre quem apenas repete essas palavras bonitas, quem até se “apaixona” pelas frases poéticas do Osho, quem gosta de fazer parte das tribos ditas místicas e esotéricas, e aqueles que realmente mergulham na meditação.
Por isso um dia Osho disse que o mala, a roupa ocre e um nome iniciático não fazem de alguém um sannyasin.
A grande mudança universal de que Osho nos fala não cairá dos céus, não será um presente dos deuses. Osho nos fala de nossa responsabilidade com nossa mobilização para estarmos conscientes. Sim, nessa mobilização sentiremos as mãos do divino. Mas para isso temos que estar nos mobilizando.
Essa mobilização tem um nome: meditação.
Meditação não é uma causa a ser defendida por uma tribo mística, não é a bandeira de um movimento, não é uma movimentação externa.
Meditação diz respeito ao indivíduo. É um mergulho meu dentro de mim mesmo. Embora possa ser praticada em grupo, ainda assim é um experimento individual.
Para meditarmos precisamos de técnicas, embora Osho nos advirta que a técnica não é meditação, mas ele também nos diz que sem a técnica não chegaremos a lugar algum.
Para meditarmos precisamos de uma iniciação, de um aprendizado. É um processo de experimentações que se sucedem. E é muito bom quando temos oportunidades para troca de experiências, para que uns possam compartilhar com os outros suas descobertas, suas dúvidas.
Meditação é uma prática a ser incorporada ao nosso dia-a-dia. E é um longo processo que se estende por anos, anos e anos.
Ao longo desses anos, meditando com regularidade, nossa meditação vai crescendo e nós crescemos junto com ela. E nem tudo são flores: passamos por experiências de profunda paz e por experiências dolorosas, ora estamos em êxtase, ora estamos angustiados. É um aprendizado onde caímos e nos levantamos várias vezes. Na medida em que nossa consciência cresce, nosso ego vai se desmontando. E isso é doloroso. Leva um tempo até nos desprendermos e nos desidentificarmos das armadilhas da mente, do ego, dos apegos, das projeções, das ilusões, das crenças.
É um processo longo que requer paciência e persistência.
Às vezes nos sentimos fracassados por não chegarmos a lugar algum e jogamos tudo para o ar. Passamos um tempo sem querer falar em meditação. Mas se existe um real chamamento dentro de nós, se existe esse questionamento interno de ‘quem sou eu?’, se existe essa busca, então não há como escapar: após um tempo retornamos a esse caminho sem caminho, sem trilhas, que é a meditação.
Este é, de fato, um processo científico voltado para dentro de nós mesmos. É nesse processo que se dá a aprendizagem da meditação e é só nesse processo que podemos vir a alcançar a compreensão vivencial do que é consciência, do que é estar presente no aqui-e-agora. É nesse processo que posso chegar a saber ‘quem sou eu’, além da mente, além do ego.
O caminho é longo, mas, depois de um certo tempo, começamos a perceber que já não somos o mesmo de antes; depois de um tempo nos percebemos cada vez mais quietos, mais silenciosos, mais serenos.
Sem meditação, todas essas lindas palavras serão apenas lindas palavras sem qualquer significado. Com a meditação, elas se transformam numa linda aventura, nós nos transformamos e elas trazem significado à nossa vida.

sábado, 6 de agosto de 2011

Reflexões


Para mim Osho sempre foi um bom conselheiro nas horas em que precisei.
Sempre tive muitos livros deles e, quando a situação apertava, eu costumava fazer uma brincadeira que dava certo. Eu fechava os olhos e passava a mão sobre seus livros na estante, escolhendo um deles como se fosse uma carta de tarô. Depois, também de olhos fechados eu abria a esmo uma das páginas desse livro. Quase sempre eu encontrava ali uma mensagem que se aplicava àquela situação que me apertava. Era só uma brincadeira, mas assim como no Tarô ou no I-Ching, se a gente estiver inteiro e presente no momento de jogar, parece que algo misterioso (ou científico, mas ainda não descoberto e aceito pela Ciência) se manifesta e nos dá a resposta.

Muito mais do que isso, meditação e leitura regular de livros do Osho ajudaram-me nesse processo de encontrar meu centro interior, minha fonte interna de discernimento para poder eu mesmo ver e sentir em cada momento qual o passo mais acertado a ser dado. E sei que quando estou descentrado, distraído, estou mais propenso a dar passos errados. Aprendi com Osho que se eu estou de bem comigo mesmo, se estou relaxado, e se o que faço me dá prazer e alegria, se aquilo é fácil para mim, se eu não sinto divisão interna quanto ao que estou fazendo, então estou no caminho certo. E isso não depende da opinião ou julgamento dos outros.

Muito interessante também é a percepção de mim mesmo como uma presença. Isso tem a ver com o estar aqui e agora, estar aqui neste momento presente. Se estou caminhando, eu posso me sentir caminhando. Não é eu estar pensando que estou caminhando. Não é um pensar, é um sentir. Sentir que estou presente no ato de comer ou de beber ou de fazer qualquer coisa. Poder fechar os olhos e sentir dentro de mim, sem estar pensando, apenas sentindo, percebendo, curtindo o estar aqui e agora.
No final, tudo acontece simultaneamente e nada mais são do que dimensões de um estado meditativo: a percepção de mim mesmo presente no aqui e agora; a sensação de estar relaxado e de bem comigo mesmo; o estar centrado; a sintonia com a fonte interna de discernimento; a sensação de estar vivendo fácil e prazerosamente. Tudo isso tem um nome: estado meditativo.

Hoje sinto que somente eu posso verdadeiramente saber que passos dar, que caminho abrir e seguir a cada momento. Mais do que isso, somente eu posso reconhecer nesse caminho uma sintonia (ou não) com o que meu próprio ser se propõe nesta vida. E, para isso, também sei que muita meditação é preciso. É assim que posso alcançar esse medidor interno.

A questão não é o que estou fazendo no meu dia-a-dia, ou o que faço no meu trabalho, ou nos meus relacionamentos. A questão é como estou comigo mesmo em cada situação. Estou relaxado e centrado? Estou em sintonia com minha fonte interna de discernimento e sabedoria? É nisso que tenho que colocar minha atenção. O modo como eu vou relacionar com o mundo exterior será uma conseqüência de minha paz interna e meu centramento.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Demência, senilidade ou experiência mística?


“Todo o sucesso do mundo nada significa comparado ao fracasso que no final você irá encarar, porque no final das contas somente o seu ser interior permanecerá com você. Tudo será perdido: sua glória, seu poder, seu nome, sua fama – tudo começará a desaparecer como sombras.
No fim só permanecerá aquilo que você trouxe no seu começo. Você somente poderá levar deste mundo aquilo que você trouxe.
Na Índia existe uma sabedoria popular de que o mundo é como uma sala de espera em uma estação de trem; não é a sua casa. Você não vai permanecer na sala de espera para sempre. Nada na sala de espera pertence a você – os móveis, as pinturas na parede... Você utiliza-os – você vê as pinturas, senta nas cadeiras, descansa na cama – mas nada pertence a você. Você está ali por uns poucos minutos, ou por umas poucas horas no máximo, e em seguida você se vai.
Sim, o que você trouxe consigo, na sala de espera, você levará consigo; aquilo é seu.
O que você trouxe ao mundo? E o mundo com certeza é uma sala de espera. A espera pode não demorar segundos, minutos, horas ou dias, ela pode demorar anos; mas o que importa se você vai esperar sete horas ou setenta anos?
Em setenta anos, você pode esquecer que está apenas em uma sala de espera. Você pode pensar que talvez seja o proprietário, talvez esta seja a casa que você construiu. Você pode começar a colocar uma placa com seu nome na sala de espera.
Existem pessoas – eu tenho visto isso porque eu estava viajando muito: pessoas que escrevem seus nomes nos banheiros das salas de espera. Pessoas tem gravado seus nomes nos móveis das salas de espera. Isso parece estúpido, mas é muito semelhante ao que as pessoas fazem no mundo.” (OSHO - From Darkness to Light – Cap. 2)


Semana passada, vivi a experiência de acompanhar bem de perto o desligamento de minha mãe de sua vida terrena. Sozinho com ela num quarto de hospital e estando ela sem proferir uma única palavra, passando quase todo o tempo com os olhos fechados, com uma expressão tranqüila, dediquei-me à meditação, à leitura de Osho e busquei aguçar minhas percepções e reflexões. E algumas questões afloraram.

Minha mãe foi daquelas mulheres totalmente dedicada ao lar, aos filhos, ao marido. Muito ligada à sua família de origem, de forte tradição católica, era muito trabalhadora, ativa, responsável, cuidadosa, perfeccionista e exigente. Ela cuidava de tudo em casa, sozinha. Nunca teve uma empregada ou faxineira. E durante vários anos costurava para ajudar nas despesas da casa. Era também muito possessiva, controladora, ciumenta, econômica, apegada a tudo que lhe pertencia, reservada, crítica e com dificuldades de relacionamento com estranhos. Ela era uma presença forte dentro da vida familiar e, em poucas palavras, era ela quem dava o tom e a última palavra em casa.

Ao se aproximar dos setenta anos, ela simplesmente perdeu a vontade de fazer as coisas: parou de cozinhar, de limpar a casa, de costurar. Lembro-me dela dizendo, “não consigo mais fazer nada, não tenho vontade alguma.”

Meu pai deixou o corpo quando ela alcançava setenta e cinco anos. Ela simplesmente foi se instalando na casa de suas irmãs que moravam perto. Parecia que ela estava dizendo: “a vida levou quem cuidava de mim, agora cabe a ela (a vida) se virar para arrumar um jeito para que eu continue sendo cuidada”.

Nessa nova fase de sua vida, quanto mais lhe cobravam maior interação na vida da casa, no que se refere à afetividade e ao trabalho, mais ela se fechava em seu mundo e se desligava. Sua reação passou a ser “cantarolar” sons sem sentido, como se fosse um estágio da meditação Devavani. Nessa técnica, emitimos sons desconhecidos como se fôssemos criança antes de aprender a falar.

Diante desse quadro, a solução que a vida apresentou para nós e para ela foi uma Fundação Espírita que abriga idosos. Um verdadeiro presente para ela e para nós. Além de todo o carinho com que foi cercada, ela se entusiasmou com o fato de não precisar cozinhar, nem limpar a casa, nem lavar suas roupas. A Fundação cuidava de tudo. Lá ela tinha uma casinha com dois quartos que dividia com outra companheira idosa.

Minha mãe ainda estava bem lúcida, mas eu percebia que ela passava por um crescente processo de desligamento das preocupações com o mundo. Para ela, tudo estava bom. Ela passava o dia sentada numa poltrona, observando os passarinhos que entravam e saiam da sala, observando as flores que desabrochavam no jardim, e, no máximo, reclamava de uma dor nas pernas. Via novela das seis, mas achava que tinha personagens em excesso o que lhe dificultava acompanhar a história. E dormia cedo.

Eu percebia o quanto ela tinha se transformado. Não existia mais aquela mulher ativa, controladora, que estava sempre atenta a tudo, dando conta de todas as tarefas de casa, exigindo muito de todos e de si mesma. Agora ela se tornara uma pessoa passiva, totalmente relaxada, imperturbável, desligada do mundo. Com certeza a sua cabeça devia continuar povoada por incontáveis pensamentos. Mas ela dizia que brincava ao fazer um jogo com as palavras para tentar lembrar nomes de pessoas que eventualmente fugiam de sua memória.

Há cerca de um ano, ela começou a ter umas tonteiras, uns desequilíbrios e, em conseqüência, alguns tombos. Ela passou duas semanas num hospital fazendo todo tipo de exame, mas não se chegou a um diagnóstico preciso. Desde então, ela voltou para a Fundação diretamente para a enfermaria, pois era arriscado ir ao banheiro sozinha.

Neste último ano, instalada permanentemente na enfermaria, o seu processo de desligamento tornou-se ainda mais intenso. Ela foi se tornando cada vez mais desinteressada pela vida, pelos acontecimentos. Não fazia o menor esforço para caminhar, para tomar um sol, para se alimentar, Mas estava sempre bem humorada, com expressão tranqüila, totalmente desapegada e muito agradecida por tudo e a todos. Falava o mínimo necessário, sempre repetindo “muito obrigado”, “graças a Deus”, “está tudo bem”. Já não cantarolava mais e permanecia a maior parte do tempo dormindo ou descansando com os olhos fechados.

Eu tinha a nítida impressão de que ela estava se sentindo numa sala de espera, tal qual descreve Osho na citação acima. Os presentes que ela recebia, de natal, de aniversário, ela repassava para o primeiro que a visitasse, filho, neto, ou conhecido. Ela já não fazia questão de seus objetos de uso pessoal, de estimação, suas recordações. Não guardava nada como sendo seu.

Ela me lembrava o que acontecera com a mãe do Osho pouco antes de deixar o corpo. Dizem que lhe perguntaram, “Como você está?” e ela respondeu, “Eu estou bem”. “Mas,” lhe disseram, “os seus exames indicam que você está mal e que deve estar sentindo dores.” Ao que ela respondeu, “Ah! Você está falando de meu corpo, não é? Sim, ele está com muitas dores, mas eu estou bem.”

No dia seguinte ao seu aniversário de 88 anos, ela passou mal e tivemos que leva-la às pressas ao hospital onde recebeu medicação. Passados mais uns dias, a situação não melhorou e tivemos que interná-la. Desta vez ela não retornou mais.

Nessa sua última semana internada, eu passei ao seu lado. Sentia sua respiração, algumas poucas vezes ela abria os olhos e trocávamos olhares. Eu estava ali me despedindo dela e podendo ver como ela tinha passado por um processo de limpeza, de esvaziamento, de purificação. Ela estava partindo despojada de todos aqueles traços de personalidade que a marcaram no passado. O seu olhar era puro e seu semblante estava totalmente relaxado. Ela respirava igual a um bebê recém-nascido. Parecia que nenhum pensamento lhe perturbava. Passei muitas horas em meditação ao seu lado. Nossas energias se fundiam.

Ela fez uma série de exames e o médico disse-me que esse seu progressivo estado de desinteresse pelas coisas era decorrente de uma demência que nela se instalara já havia alguns anos. Eu fiquei me perguntando se realmente aquele seu estado era demência, ou se era uma simples manifestação da senilidade ou se era uma experiência mística sem consciência, já que ela não conhecia meditação.

Eu não consigo ver nela esse estado de demência. Ela permaneceu lúcida até ser finalmente internada no hospital. Ela sabia de tudo que ocorria ao seu redor. Mas ela reagia de modo totalmente diferente dos seus velhos padrões. Eu fico me perguntando como se instalou nela esse processo de transformação, deixando de lado os seus apegos, sua possessividade, seu espírito controlador e manipulador e tornando-se uma pessoa dócil, pura, inocente. E, sobretudo, me pergunto o que teria acontecido se ela tivesse conhecido meditação, qual teria sido o sabor de seu experimento ao passar por todo esse processo de desligamento do mundo.

“Infelizmente o Ocidente não aprendeu a lição, nem mesmo agora. Ele continua trabalhando arduamente no mundo objetivo. Até mesmo um décimo de nossa energia seria suficiente para encontrarmos a verdade interna. Mesmo um Alberto Einstein morreu em profunda frustração. Nietzsche não tinha idéia alguma a respeito de como ir para dentro (meditar). O Ocidente tem sido um lugar errado para pessoas como Friedrich Nietzsche. Se ele estivesse no Oriente, ele teria sido um grande mestre, um homem de absoluta sanidade. Ele teria sido da mesma categoria, da mesma família dos Budas.” (OSHO – God is Dead, Now Zen is the Only Living Truth – cap. 1)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A palavra do Mestre


"A espiritualidade é exatamente como o sexo. O sexo necessita de uma certa maturidade; aos catorze anos de idade a criança estará preparada. O seu próprio impulso estará ali. Ela começará a perguntar e ela gostará de saber mais e mais a respeito do sexo. Somente então existirá a possibilidade de lhe explicar certas coisas.
O mesmo acontece com a espiritualidade: a uma certa maturidade o impulso surge; você está procurando por Deus. O mundo já está terminado; você já viveu ele do princípio ao fim, já o viu do princípio ao fim. Ele está terminado; ele não tem mais qualquer atração, qualquer sentido. Agora surgiu um impulso para conhecer o significado da própria existência. Você jogou todos os jogos e agora sabe que eles são jogos. Agora nenhum jogo atrai você, o mundo perdeu o seu sentido – então você está maduro.
Agora você precisará de um Mestre, e Mestres estão sempre aí, então não é preciso pressa. O Mestre pode não estar nesta forma, neste corpo – um outro corpo – as formas não importam, os corpos são irrelevantes. A qualidade interna de um Mestre é sempre a mesma, a mesma, a mesma. Buda disse repetidas vezes, “você experimenta a água do mar em qualquer lugar, ela é sempre salgada.” Exatamente como isso, o Mestre tem sempre o mesmo sabor. O sabor da consciência. E sempre existem Mestres, eles sempre estão por aí, assim, não tenha pressa.
E se você não terminou com o mundo, se ainda está por aí, demorando a acabar, um desejo de conhecer sexo, de saber o que o dinheiro pode trazer, de saber o que o poder pode lhe dar, então você não está pronto. O impulso espiritual não é um entre muitos outros impulsos, não. Quando todos os impulsos tiverem perdido seu sentido, então ele surge. O impulso espiritual não consegue existir com outros impulsos – isso não é possível. Ele toma posse de seu ser completo, totalmente. Ele se torna o único desejo. Somente então um Mestre pode ser de alguma ajuda para você." (OSHO - Yoga: The Alpha and the Omega – vol., 3 – cap. 8 – q. 1)

sábado, 28 de maio de 2011

Sobre a busca/não busca.


O título é uma expressão da Amras e eu agradeço a ela por um dia ter sugerido que eu criasse este blog para expressar minhas reflexões, meus comentários, minhas crônicas.
O que mais gosto nesse blog é de me sentir inteiramente à vontade para escrever o que quiser e quando quiser. Às vezes passo meses sem escrever uma linha e às vezes escrevo várias vezes numa mesma semana.
Também fico à vontade para escrever aquilo que sinto me inspirar no momento, sem qualquer preocupação de estar sendo coerente, de estar dizendo alguma verdade que toque as pessoas, de estar sendo reconhecido como alguém especial. Escrevo como sendo um desabafo, um transbordar de algo que está pulsando dentro de mim.
Muitas vezes a vida me faz compreender coisas profundas, mas eu sinto que é algo muito pessoal que quero guardar comigo. Nesses casos eu nada escrevo. Mas, ocorre de brotar um sentimento de querer expressar o que bate aqui dentro. Nem sempre com a intenção de compartilhar com quem quer que seja, mas simplesmente a vontade de expressar, de colocar para fora e depois poder ver objetivamente o texto que eu construí e que foi publicado.
E é interessante quando a gente escreve e publica. É totalmente diferente de um diário em que escrevemos e guardamos trancado a sete chaves. Quando publicamos, ficamos expostos, abrimos nosso coração, abrimos nossa intimidade. Ou, ao contrário, podemos simplesmente escrever de uma maneira cuidadosa para não cometer deslizes, com vistas a merecer aplausos e reconhecimentos. Não tem sido essa a minha experiência neste meu blog.
Eu tenho aproveitado esse blog, como um canal de comunicação para procurar me expor autenticamente, humildemente e sinceramente. Mesmo sabendo que somos traídos muitas vezes por um lado inconsciente de nosso ego, sendo falsos não intencionalmente quando pensamos ser verdadeiros.
Aprendi com Osho que “As pessoas quando estão frustradas com desejos mundanos, começam a mudar o objeto: elas começam a desejar objetos do outro mundo – céu, paraíso e todas as alegrias do céu. Mas o jogo é o mesmo, a mente está de novo fazendo você de tolo. Esse não é o caminho da pessoa inteligente, esse é o caminho do tolo.”
Assim, quem acompanha esse meu blog, pode ter observado uma mudança no foco de meus escritos. Pouco a pouco fui abandonando meu discurso mais espiritualizado, deixando de enfatizar meditação, iluminação, não-mente, e outras “aspirações do além” e comecei a descer ao terreno dos simples mortais que se reconhecem ainda no mundo da mente, das distrações terrenas, da comida gostosa, do sexo, dos jogos de futebol, da conversa boba ao redor do fogão na casa das tias, essas coisas de gente comum.
Aprendi que ao me reconhecer como pessoa comum, ordinária estou muito mais relaxado e à vontade comigo mesmo do que quando me via como alguém extraordinário, alguém que já trilhara esse ou aquele caminho, que já superara essa e aquela fase, e que já estava numa dimensão acima dos simples mortais, dos mentais, dos apegados às ilusões do mundo.
Aprendi com a minha experiência e essa experiência é minha. E só eu posso saber, ou não, o que essa experiência me diz e o que ela representa. Ao buscar ser mais simples, mais comum senti a necessidade de ser mais mundano, pois, antes, eu estava buscando ser especial e extraordinário. Sinto que isso faz parte do meu processo. Pode ser que eu esteja dando passos à frente enquanto penso estar dando passos atrás. Qual o termômetro para medir? Só eu mesmo posso saber. Não é alguém que está lendo este meu texto que irá me dizer. Esse alguém poderá no máximo fazer julgamentos. Mas isso é problema dele. O que interessa a mim é como eu me sinto nesse processo, se estou ficando mais relaxado, mais de bem comigo mesmo, mais à vontade com a vida. Para mim esses são critérios valiosos. Mas sempre a partir de minha própria percepção, da minha sensação e meus sentimentos.
Sinto que um degrau a mais na ascenção dita espiritual só é possível a partir do chão, do terreno, do ordinário, do simples e comum. E essa questão não é resultado de uma discussão, de uma troca de idéias, de um fórum a ser aberto neste blog. É uma compreensão fundada na experiência de vários anos e numa intuição mais profunda que conseguimos alcançar.
Já deixei para trás a importância que dava aos juízos e comentários de meus pares, daqueles que considerava meus companheiros de jornada. Descobri também com Osho que não existe relação discípulo-discípulo, mas apenas a relação discípulo-mestre e, é claro, a relação minha para comigo mesmo.
É a partir dessa ótica que eu agradeço a Amrás por ter estimulado que eu fizesse este blog. Ele está sendo uma grande oportunidade para eu exercitar essa minha expressão de sinceridade, de exposição de minha intimidade, de me abrir, não para A ou para B, mas simplesmente de me abrir, abrir meu coração. E eu sinto que cresço com isso.